Conto. Segundo Poe, quase todas as classes de composição existe um ponto de maior importância, que é a unidade de efeito ou impressão. No conto trata-se de conseguir com o mínimo de meios, o máximo de efeitos. Um dos momentos especiais é concebido como o que se chama de epifania (súbita sensação de realização ou compreensão da essência ou do afeto de alguém), neste caso a epifania com relação ao conto. Pronto! Uma pequena explicação da Epifania do conto.
quinta-feira, 10 de março de 2011
O verdadeiro abraço.
Ela era baixinha, morena, cabelos bem pretinhos...
Toda manhã ela esperava ele passar com uma caixinha de leite nas mãos. Como na sua casa tinha uma vaquinha, sua mãe não precisa comprar leite e no outro dia lá estava observando ele.
Certo dia, possuída por um sentimento de coragem, correu até ele.
- Oi do leite!
-Oi menina! Quantas garrafas você quer?- perguntou o menino já se alegrando com a primeira cliente do dia.
-Eu não quero comprar leite, queria apenas saber se você quer ser meu amigo?
- É... pode ser, eu não tenho amigos mesmo.
-Tá certo, então amanhã você passa aqui pra a gente continuar nossa amizade.
-Tá bom. Tchau!
Aquele foi o dia mais feliz da vida dela. Esperava muito ansiosa para rever o menino. Assim aconteceu e durante vários dias de encontro, aquela amizade fortificou-se. Fortificou-se a tal ponto que virou paixão.
Já era rotina eles trocarem cartas todos os dias. No pé de uma árvore a menina deixava sua carta em cima de um vestido bem dobradinho (para identificar que era realmente ela) e o menino deixava sua carta debaixo de uma garrafa cheia de leite.
Depois passaram a se encontrar a noite e antes de dormir brincavam de roda, só os dois, enquanto as outras amigas dela apontavam e cochichavam.
Sempre tentava fazer esse momento único, até quando ouvia sua mãe gritar:
- Cadê aquela menina? Cachorra da molesta, o que ainda tais fazendo ai? Vem timbora!
E ela ia, ia rezando pra que sua mãe não tivesse visto nada de grave.
Mas o medo de revelar a paixão foi banido. Recebera uma má notícia; o avô dela precisava de ajuda, pois este já era de idade e morava muito distante. Desse modo, ela iria partir no outro dia.
E sem nem pensar, a menina correu para o quarto, pegou um pedaço de papel e começou a escrever uma despedida. Ao fim, ela sentiu um gosto meio salgado na boca e nem sequer percebera que já estava derramando lágrimas.
Na calada da noite, por cima do pijama, colocou o vestido que estava em baixo da árvore e ele estava um pouco molhado, mas não dera importância pois deveria ser apenas o orvalho.
Lembrava como foi difícil empurrar aquele bilhete na fresta da porta. E nesse momento o vestido que serviu de cúmplice naquela noite, agora se abraçava com ela, numa redinha pendurada, na casa do avô.
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Muito belo seu conto.
ResponderExcluirTeve um sentido de efeito bastante interessante.
Wellington MIRELHO (Aluno da UFPB)
Parabéns! Vc já começou bem em citar Poe; depois, em escolher um nome tão criativo para o blog; continuou acertando ao se deleitar diante do conto, que é um mundo maravilhoso...por fim: arrasou no seu escrito! Parabéns! Vc deveria fazer Letras...nasceu pra coisa! ;)
ResponderExcluirAdorei seu conto! Parabéns! Continue publicando mais, estarei no aguardo. E assim como Monya disse: "você devia fazer Letras...nasceu pra coisa"
ResponderExcluirIsabela Nogueira (Aluna da UFPB)
gente muito obrigado pelos comentários.
ResponderExcluirContinuarei escrevendo e espero que vcs continuem a acompanhar!
Adorei ter começado a estudar sobre o conto e ainda mais, poder associa-lo com a fotografia (como na do título, fui quem tirei).
Quem sabe um dia não nos encontramos ai na UFPB...
Gabriel, vc tem potencial pra isso. Nos encontraremos sim na UFPB...em Letras, viu? Hehehe...abraços.
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